Por muitos anos, no Grupo Kindermann, nossa essência esteve ligada à hotelaria tradicional. Hotéis pensados para hospedagem: o hóspede chega no fim da tarde, faz check-in, sobe para o quarto, janta, dorme, toma café da manhã e segue sua rotina de trabalho. É uma operação conhecida, organizada, previsível. E que funciona muito bem quando bem executada.
Esse modelo, no entanto, também enfrenta novos desafios. A concorrência aumentou, especialmente com soluções de short stay, onde muitas vezes o cliente compara um hotel com um quarto alugado apenas para dormir, sem café, sem serviços, sem experiência. Para hotéis econômicos e tradicionais, isso exige atenção constante.
Quando decidimos avançar para Chapecó, entendemos que repetir apenas o modelo tradicional não seria suficiente. A cidade tem uma dinâmica diferente. Negócios, encontros, convenções, treinamentos e eventos fazem parte do dia a dia da cidade. Foi aí que veio a decisão: pensar o Hotel como um Hotel de eventos.
E a diferença é enorme!
Na hotelaria de eventos, o hóspede não “passa” pelo hotel, ele vive o hotel o dia inteiro. O trabalho começa muito antes do check-in. Planejamento com dias (às vezes semanas) de antecedência:
Nada é simples ou automático. Cada detalhe importa.
Enquanto na hotelaria tradicional o hotel esvazia pela manhã e só volta a ganhar movimento no fim do dia, no hotel de eventos a operação é contínua. Pessoas entram, saem, participam, retornam, consomem, interagem. A atenção precisa ser constante, a equipe maior, a comunicação interna muito mais afinada.
Nosso primeiro ano em Chapecó foi um grande aprendizado para nós. Aprendemos que não é simples transformar um hotel tradicional em um hotel de eventos. Um hotel de eventos precisa nascer preparado:
Os resultados são positivos, sem dúvida. Eventos movimentam o hotel, geram faturamento, fortalecem relacionamento e criam experiências. Mas também exigem muito mais gestão. A alimentação, por exemplo, aumenta significativamente o faturamento, mas trabalha com margens menores que a hospedagem. Isso exige controle, capital de giro, planejamento financeiro e cuidado redobrado.
Nossa convicção hoje é clara: para cidades com forte vocação empresarial e de encontros, a hotelaria de eventos é um caminho sem volta. Mas não é um caminho fácil. Dá resultado? Sim, porém dá muito mais trabalho.
E talvez seja exatamente isso que a torne tão estratégica para quem está disposto a fazer bem-feito.
Grupo Kindermann & Daniel Sabadin